Não sei como é com as outras mulheres, mas no meu percurso profissional tenho-me deparado com alguns patrões rebarbados! Devo dizer que, num mundo tão competitivo, é preciso ter uma personalidade forte e algum jogo de cintura para lidar com este tipo de homens, que no fundo são uns frustrados e sofrem de uma falta de vergonha que chega a ser degradante!
Lembro-me de ir à entrevista e ver o seu real entusiasmo. Confesso que na altura não associei a qualquer tipo de assédio sexual, até porque tinha noção das minhas qualificações e jamais pensaria que, por detrás disso, haveria outro tipo de interesse!
Ingénuamente, pensei que toda aquela motivação pelo meu desempenho e trabalho fosse pelas minhas capacidades. Afinal, estava enganada! Primeiro, fez-me acreditar que era meu amigo e queria o meu crescimento na função que desempenhava. Via todo aquele entusiasmo até como um sentimento paternalista, porque na verdade, tinha idade quase para ser meu pai. Fui ingénua! Comecei a desconfiar das suas intenções e como nunca correspondi às suas investidas, começou adoptar uma postura bastante agressiva para comigo! Fiz queixa aos restantes associados, mas ao fim de um ano não aguentei e abandonei a empresa!
Este não foi o único caso e penso que é um problema que persiste com um grande número de mulheres! Infelizmente, o mundo profissional contínua a ser dominado pelo sexo masculino e a mulher ainda é, muitas vezes, vista como um alvo sexual e não como uma mais valia profissional. Cheguei mesmo a trabalhar numa empresa em que imperava o machismo, onde as mulheres eram o ser inferior e menos capacitado para funções de responsabilidade maior. A verdade é que só lá fiquei dois meses, tempo suficiente para ficar boquiaberta com tanta ignorância e até poder injusto no mundo empresarial.
Pergunto-me, várias vezes, será que é porque ainda vivemos num país pouco desenvolvido culturalmente, onde as mulheres são vistas através de um passado de submissão? Até os ordenados, em funções similares, são de uma discrepância assustadora! Estamos em 2008 e Portugal continua a tratar as mulheres de uma forma indigna, quando são elas que têm, cada vez mais, qualificações profissionais superiores. Será por acaso que o sexo feminino domina as salas universitárias?
É este mundo dominado por homens que assediam constantemente as suas funcionárias?

